Por volta dos 40 anos, o organismo da mulher começa a deixar a fase reprodutiva. Esse período, marcado por alterações relacionadas à diminuição do estrogênio, como ciclos menstruais irregulares, é chamado de climatério ou perimenopausa.
Depois de 12 meses após a última menstruação, a mulher entra na menopausa. No Brasil, a média de idade da menopausa é de 48 a 52 anos.
Os sintomas que marcam o climatério e a menopausa incluem ondas de calor (fogachos), suor noturno, ganho de peso, fadiga, irritabilidade, entre outros. Alguns sintomas que afetam a região íntima, no entanto, são muito incômodos e podem comprometer a função sexual e a qualidade de vida da mulher. E eles não surgem de maneira isolada, como se pensava até pouco tempo.
Mudança de nomenclatura
Em 2014, especialistas recomendaram o termo síndrome geniturinária da menopausa (SGM) para descrever com mais rigor o amplo espectro de alterações genitais, sexuais e urinárias associadas à queda do estrogênio que pode começar durante o climatério e mais intensamente na menopausa. Isso porque esses sintomas no geral não surgem de modo isolado, mas como parte de um conjunto de sinais que marcam esse período.
A adoção dessa terminologia substituiu outras mais limitadas, como atrofia vulvovaginal e vaginite atrófica, pois, com o aumento dos estudos na área alcançado recentemente, compreendeu-se que a deficiência de estrogênio não afeta apenas a vagina, mas várias estruturas em todo o trato geniturinário inferior.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) estima que 90% das mulheres desenvolverão algum sintoma relacionado à síndrome geniturinária.
Como a síndrome geniturinária da menopausa ocorre
Os receptores de estrogênio estão presentes na vagina, vulva, uretra e parte inferior da bexiga, onde está a uretra. Esses receptores respondem à estimulação do estrogênio, mantendo o fluxo sanguíneo normal, a espessura do tecido, sua elasticidade e umidade.
Com a queda da produção de estrogênio, ocorrem mudanças nos tecidos da vulva e da vagina que predispõem a sintomas como:
- ressecamento vaginal;
- dor durante a relação sexual (dispareunia);
- irritação genital;
- prurido (coceira) vulvovaginal;
- desconforto e/ou dor aguda genital;
- corrimento vaginal anormal;
- sangramento após a relação sexual;
- urgência urinária;
- dor, queimação, ardência ou desconforto durante ou após urinar;
- infecções do trato urinário recorrentes.
Sem tratamento adequado, os sintomas da SGM tendem a se agravar.
Veja também: A vida após a menopausa – Saúde Sem Tabu #55
Tema ainda é tabu nos consultórios
Apesar de comum, muitas mulheres não discutem os sintomas da síndrome geniturinária da menopausa com seus médicos. Alguns estudos mostram que cerca de 70% das mulheres não conversam sobre o tema com os ginecologistas.
Seja por questões culturais e sociais, seja por acreditarem que os sintomas são parte natural do envelhecimento e que, portanto, não há tratamento para eles, essa condição vem sendo subdiagnosticada e subtratada.
Diagnóstico e tratamento da SGM
O diagnóstico da síndrome geniturinária da menopausa é essencialmente clínico e baseia-se na anamnese (entrevista clínica) completa, combinada com um exame físico. Como nenhum exame laboratorial isolado confirma o diagnóstico, os exames de rotina geralmente não têm utilidade, a menos que sejam necessários para excluir outras condições.
Para tratar a SGM, existem opções hormonais e não hormonais. O tratamento deve ser decidido em comum acordo entre médico e paciente, levando em consideração o histórico médico, as melhores evidências disponíveis e as preferências da mulher.
Terapias não hormonais
Atualmente, há algumas opções sem hormônios que podem ajudar a reduzir os sintomas da síndrome geniturinária da menopausa. São elas:
- lubrificantes vaginais: devem ser usados durante a atividade sexual com penetração. Seu objetivo é reduzir o atrito e trazer alívio temporário dos sintomas, e não tratar a condição;
- hidratantes vaginais: são indicados para o tratamento da SGM. Devem ser aplicados regularmente, geralmente uma ou duas vezes por semana. As opções com ácido hialurônico agem por até três dias e aliviam os sintomas;
- terapia a laser e radiofrequência: o laser ajuda na vascularização da mucosa e reestruturação do colágeno, fibra proteica que tem a função de sustentar as células da pele. Também aumenta a umidade e a elasticidade da vulva e da vagina. “O processo é relativamente simples: introduzimos uma sonda vaginal (semelhante à usada nos exames transvaginais) em três sessões — uma por mês — de 20 minutos cada. Há um leve desconforto, pois a paciente sente calor local durante a emissão dos pulsos do laser. Para amenizar o desconforto, recomendamos o uso de anestésicos”, afirmou a ginecologista Renata Bonaccorso Lamego, da Santa Casa de São Paulo, em entrevista ao Portal Drauzio;
- ospemifeno: modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM) que “imita” os efeitos do estrogênio no epitélio vaginal. É uma opção benéfica para pacientes com histórico de câncer hormônio-sensível;
- fisioterapia pélvica: além de ajudar a fortalecer os músculos do assoalho pélvico, pode reduzir os sintomas de incontinência urinária e dor nas relações sexuais.
Terapias hormonais
- estrogênio vaginal local em baixa dose: ajuda a aliviar o desconforto e a irritação vulvovaginal, o ressecamento e/ou a dispareunia;
- deidroepiandrosterona (DHEA) vaginal: inserto vaginal de baixa dose que ajuda a reduzir os sintomas da SGM;
- terapia hormonal sistêmica: em geral indicada para mulheres que têm sintomas mais disseminados, como fogachos e suores noturnos, além da SGM. Há algumas contraindicações, portanto essa opção deve ser discutida com o médico.
“A terapia de reposição hormonal pode ser indicada dependendo dos sintomas da paciente, mas isso precisa ser muito bem acompanhado, principalmente se há histórico de câncer. De qualquer maneira, também há cremes vaginais à base de estrogênio com baixa dosagem que ampliam a possibilidade de uso mesmo para quem tem histórico de alguns casos específicos de câncer”, explicou a ginecologista Larissa Cassiano, em entrevista ao Portal.
Veja também: Reposição hormonal na menopausa: o que a ciência já sabe sobre riscos e benefícios
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